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Paulo Sabbanelli [ Blog ]

Site barato vale a pena? O que fica de fora quando o preço é baixo demais

Por 11 min de leitura

Ilustração de uma caixa aberta vista de cima, com um notebook no encaixe central e quatro encaixes vazios ao redor, em forma de chave, cadeado, celular e balão de conversa; o encaixe da chave é laranja

Na primeira página do Google para “criação de site barato”, em outubro de 2026, há ofertas por menos de R$ 500, parceladas em 12 vezes e entregues em poucos dias. Algumas somam uma mensalidade de hospedagem e manutenção. As promessas se repetem: site responsivo, certificado SSL, SEO, entrega rápida. Poucas páginas dizem em nome de quem fica o domínio, e quase nenhuma explica o que acontece com o site se você parar de pagar a mensalidade.

São essas duas respostas que separam um site barato de um site que vai sair caro depois.

Por que um site pode sair barato?

Um site custa pouco por dois motivos, e o orçamento não mostra qual deles é o seu.

O primeiro é eficiência. O fornecedor parte de um modelo bem escolhido, faz poucas páginas, repete um processo que já conhece e usa uma tecnologia que dispensa mensalidade de hospedagem. Uma página única para uma barbearia ou um consultório não pede semanas de trabalho, e pagar pouco por ela é justo.

O segundo é corte. O preço cai porque saíram da conta coisas que você só nota meses depois: o domínio registrado no nome do fornecedor, o botão de WhatsApp que ninguém testou, a frase de exemplo esquecida numa seção, a renovação que custa mais que a contratação.

Na proposta, os dois casos usam as mesmas palavras: responsivo, seguro, otimizado.

O site fica no seu nome ou é alugado?

Um site tem três partes que podem ficar com quem o fez: o domínio, que é o endereço; a hospedagem, onde os arquivos ficam; e os próprios arquivos. Se o domínio está no CNPJ do fornecedor e ele deixa de renovar, o site e os e-mails com aquele endereço param. Passado o prazo de renovação, o endereço volta a ficar livre para qualquer pessoa registrar, como explica a central de ajuda da Locaweb sobre domínios .br vencidos.

No site por assinatura, a pergunta que decide é outra: o que acontece se você parar de pagar? Se o site sai do ar e o layout fica com o fornecedor, você está alugando. Aluguel pode fazer sentido, desde que você compare como aluguel. Uma mensalidade de R$ 50 soma R$ 1.800 em três anos, e no fim desse tempo o site continua sendo de outra pessoa.

Ilustração de um celular com um site na tela, preso por um cabo antifurto em espiral a um suporte de balcão com trava laranja, ao lado de uma sacola de compras vazia que o cabo não alcança

Ter tudo no seu nome também decide se o site pode mudar de casa sem começar do zero. Em setembro de 2026, tirei o meu site do WordPress e o reconstruí em outra tecnologia. Os 93 artigos do blog continuaram nos mesmos caminhos de endereço, e 700 regras de redirecionamento levam quem chega por um link antigo à página certa. Só deu para fazer isso porque o domínio, o painel e a exportação de cada página estavam comigo.

Num site preso à plataforma do fornecedor, o que você leva na saída costuma ser o texto e as fotos. O resto é refeito, e o Google precisa reaprender os endereços novos.

Cadeado, versão para celular e velocidade estão incluídos?

Cadeado (HTTPS). Desde julho de 2018, o Chrome marca como “Não seguro” toda página sem HTTPS, como anunciou o blog do Google Search Central. Em muitas hospedagens, o certificado que ativa o cadeado é gratuito, emitido pela Let’s Encrypt, uma autoridade certificadora sem fins lucrativos. Se ele aparecer como extra pago, pergunte por quê.

Versão para celular. “Responsivo” quer dizer que o layout se ajusta à tela. Isso não garante que o texto caiba sem zoom, que o botão fique ao alcance do polegar ou que o menu abra. Para saber, abra no seu celular dois sites que o fornecedor já entregou e procure, como cliente, o telefone, o endereço e o horário.

Velocidade. Modelo carregado de efeitos, foto sem compressão e hospedagem lotada deixam um site lento. O PageSpeed Insights, do Google, mede qualquer endereço de graça; olhe a aba do celular. No meu site de vendas, a meta é nota 95 ou mais nessa aba.

SEO básico. “Otimizado para o Google” sem lista não diz o que foi feito. O mínimo é título e descrição próprios em cada página e o sitemap enviado ao Google Search Console. Se o site já está no ar e não aparece na busca, veja o que fazer quando o site novo não aparece no Google.

O WhatsApp e o formulário chegam até você?

Quando este item falha, ninguém avisa. O visitante toca no botão, a conversa abre com um número antigo, ou nem abre, e ele chama o próximo da lista. O formulário mostra “mensagem enviada”, e o pedido vai para o e-mail de quem fez o site ou para o spam.

Ilustração de uma caixa de correio sem fundo, com a bandeirinha laranja levantada, e uma pilha de cartas acumulada na grama logo abaixo dela

O teste leva cinco minutos e cabe antes da última parcela. Mande uma mensagem pelo botão usando um celular que não seja o seu, envie o formulário com um nome de teste e veja onde cada um chegou. No meu site de vendas, o roteiro de lançamento pede uma compra de teste pelo próprio site, para conferir se ela chega ao Meta. E os testes de rastreamento rodam antes de cada publicação: uma versão com o rastreamento quebrado não vai ao ar.

A outra metade é saber quantos contatos o site traz. Entre as páginas que vendem site barato no topo da busca, poucas citam o Google Analytics na lista do que vem incluído. Sem ele contando os cliques no WhatsApp e os envios do formulário, daqui a seis meses você não vai saber se o site trouxe três clientes ou nenhum.

Quem escreve os textos e de onde vêm as fotos?

Um dos jeitos de baixar o preço é deixar o texto com você. O fornecedor monta o layout e espera o conteúdo; se ele atrasa, o site sai com as frases genéricas do modelo, do tipo “soluções com qualidade e compromisso”, que servem para qualquer concorrente.

As fotos pedem o mesmo cuidado. Imagem copiada do Google tem dono: a Lei de Direitos Autorais (Lei 9.610/1998) protege fotografias, e o site que publica é o seu. Foto de banco gratuito com licença clara resolve. Foto real do seu trabalho resolve melhor, porque o cliente reconhece o lugar quando chega.

Se o site tem formulário, ele coleta nome e telefone, que são dados pessoais pela LGPD (Lei 13.709/2018). A política de privacidade, a página que diz para que esses dados servem e por quanto tempo ficam guardados, faz parte do site.

Quais custos aparecem depois que o site barato fica pronto?

O preço de criação é a parte que você vê. Estes chegam depois:

  • Renovação da hospedagem. O preço da propaganda vale, em geral, só para o primeiro período. Uma das maiores hospedagens do país, por exemplo, diz em respostas no Reclame Aqui que o desconto é para novos clientes e não vale na renovação.
  • Alteração depois da entrega. Trocar o telefone, um preço ou uma foto pode virar um pedido cobrado à parte, com fila de atendimento.
  • E-mail com o seu domínio. Em geral é contratado à parte, por caixa de e-mail.
  • Saída. Há fornecedor que cobra para entregar os arquivos ou transferir o domínio.
  • Refazer. O custo mais alto é pagar duas vezes: o site barato que não traz contato e é refeito um ano depois, do zero.

Peça por escrito quanto cada um desses itens vai custar no segundo ano. As faixas de 2026 para domínio, hospedagem, e-mail e manutenção estão no guia de quanto custa um site.

Ilustração de uma pequena impressora laranja imprimindo uma folha com o layout de um site, seguida por uma fila longa de cartuchos de tinta que se estende pela mesa

Com a conta de três anos na mão, um site que custou mais na entrada e não cobra mensalidade pode sair mais barato que a oferta mais em conta da busca.

Quando o site barato basta?

Em muitos casos, basta. Um negócio de bairro que precisa de um endereço para pôr no Instagram, no cartão e no Perfil da Empresa no Google pode resolver tudo com uma página: o que faz, para quem, horário, endereço, fotos reais e um botão de WhatsApp. As faixas de preço desse formato, por caminho, estão em quanto custa um site simples. O risco do outro lado também existe: um orçamento de milhares de reais com prazo de meses costuma empurrar o site para o ano que vem, todo ano.

Também basta para quem precisa provar que existe. Um dos anúncios da minha campanha para corretores de plano de saúde diz: “Com tanto golpe de plano de saúde, o cliente pesquisa antes de fechar. Um site com seus dados, seu contato e as operadoras que você representa mostra que você é de verdade.” Para esse papel, uma página simples e bem feita cumpre a tarefa. E basta para testar um serviço novo antes de investir num site maior.

O barato fica curto quando você vai anunciar, porque cada clique é pago e a página precisa medir o contato que gerou. Fica curto quando há vários serviços para públicos diferentes, como num escritório com uma área de atuação por página; o artigo sobre o que um site institucional precisa ter mostra o que esse formato pede. E fica curto quando o texto exige cuidado técnico, como na advocacia, que segue o caráter informativo do Provimento 205/2021 da OAB, ou na saúde, em que conselhos como CFM, CFO e CFP têm normas próprias de publicidade.

Em todos os casos, o mínimo é o mesmo: domínio no seu nome, HTTPS, celular testado e um botão que chega até você.

O que conferir antes de pagar um site barato?

As perguntas para fazer ao fornecedor estão no guia de como escolher uma empresa de criação de sites. Esta lista é a parte que você mesmo confere, antes de pagar e no dia da entrega:

  1. Abra dois sites do portfólio no seu celular, fora do Wi-Fi: confira o cadeado, toque no botão de WhatsApp e rode os dois endereços no PageSpeed Insights.
  2. Peça por escrito o preço do segundo ano: hospedagem, mensalidade, e-mail e alterações.
  3. Pergunte o que acontece com o site e com o domínio se você parar de pagar, e guarde a resposta por escrito.
  4. Pergunte se as fotos do modelo têm licença e, se houver formulário, se a política de privacidade está incluída.
  5. No dia da entrega, mande uma mensagem pelo botão de WhatsApp de um celular que não seja o seu e envie o formulário com um nome de teste.
  6. Antes de aprovar, leia o site inteiro no celular procurando frase de modelo e foto que você não escolheu.

Se a proposta passa por essa lista, pagar pouco foi uma boa compra. Se metade dos itens fica sem resposta, a economia de hoje volta depois, na mensalidade, no retrabalho ou no contato que nunca chegou.

Perguntas frequentes sobre site barato

Site barato é confiável?

Pode ser, quando a proposta diz por escrito o que está incluído: domínio no seu nome, HTTPS, versão para celular, WhatsApp e formulário testados. O risco mora no que a proposta não menciona.

Site por mensalidade vale a pena?

Vale quando o contrato diz o que acontece se você cancelar e o domínio fica no seu nome. Some 36 mensalidades e compare com o preço de um site que fica com você.

O que acontece com o meu site se eu parar de pagar a mensalidade?

Depende do contrato, e isso precisa estar escrito antes de fechar. Se o site sai do ar e o layout fica com o fornecedor, você pagou aluguel; com o domínio no seu nome, pelo menos o endereço continua seu.

Site barato aparece no Google?

Aparece, se tiver a base técnica: título e descrição em cada página, versão para celular, carregamento rápido e sitemap enviado ao Search Console. A posição depende de conteúdo, concorrência, avaliações e tempo, e ninguém pode garantir o primeiro lugar.

Qual a forma mais barata de ter um site para minha empresa?

A mais barata é o plano gratuito de um construtor de sites, com o nome da plataforma no endereço. Para uma empresa, o mínimo que vale pagar é uma página única com domínio próprio: o .com.br custa cerca de R$ 40 por ano no Registro.br, e o Perfil da Empresa no Google é gratuito.

[ Quem escreve ]

Especialista em comunicação digital para aquisição de clientes, há mais de 25 anos na internet

Trabalha com internet há mais de 25 anos. Estrutura a aquisição de clientes de empresas e profissionais: site, busca no Google e nas IAs, mídia paga e rastreamento, medidos do clique até a venda. Já atendeu marcas como BASF, Nestlé, Votorantim, Suzano, Bayer.

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