GA4: o que é o Google Analytics 4 e o que configurar primeiro numa empresa
O GA4 é instalado em poucos minutos e, a partir daí, já mostra visitas, páginas e cliques. O que ele não faz sozinho é saber quais dessas ações viraram cliente. Essa parte depende de meia dúzia de configurações que ficam no menu Administrador e não vêm prontas na conta nova.
Os nomes de menu citados aqui foram conferidos na ajuda do Google em novembro de 2026. Se algum mudar, a busca no topo do GA4 encontra a opção.
O que o GA4 mede e o que ele não vê sozinho?
O Google Analytics 4 substituiu o Universal Analytics, que parou de processar dados em 1º de julho de 2023, segundo a ajuda do Google. No GA4, tudo é evento: abrir uma página, rolar até o fim, clicar num link para fora do site, enviar um formulário, comprar.
Parte desses eventos chega sem programação. A medição otimizada, um conjunto de chaves no fluxo de dados do site, registra visualização de página, rolagem até 90% da página, clique em link externo, busca interna, vídeo incorporado, download de arquivo e início e envio de formulário.
O GA4 enxerga o que acontece dentro do site. Quando o cliente sai dele para fechar negócio, a medição para no último clique. Três situações comuns em negócio pequeno ficam de fora:
- a venda que fecha no WhatsApp ou no telefone, depois que a pessoa clicou no botão de contato;
- a compra feita num checkout de outra empresa, como uma plataforma de pagamento;
- o orçamento aprovado dias depois, por e-mail ou presencialmente.
O GA4 aceita eventos enviados por um servidor, sem depender do navegador do visitante. É assim que montei o contrate-me, minha loja de serviços: o checkout fica na Kiwify, fora do meu site, e um webhook de compra aprovada envia o evento purchase ao GA4. Sem isso, o relatório mostraria gente indo para o checkout e nunca uma venda. Antes de cada build, a etapa que gera a nova versão do site, rodam testes de rastreamento. Como o envio pelo servidor funciona, para quem decide, está em rastreamento server-side explicado.
Quais eventos marcar como eventos principais?
O que o GA4 chamava de conversão passou a se chamar evento principal em março de 2024, segundo o Search Engine Roundtable. Pela ajuda atual do Google, um evento principal “mede uma ação particularmente importante para o sucesso da sua empresa”. A palavra conversão continua existindo, mas ficou para o evento principal compartilhado com o Google Ads e usado nos lances das campanhas.
A conta gratuita aceita até 30 eventos principais. Numa empresa de serviço local, três ou quatro bastam: o formulário de orçamento enviado, o clique no botão de WhatsApp ou de telefone, o agendamento concluído e, se houver venda online, a compra aprovada. Cada evento a mais dilui o relatório, porque a coluna de eventos principais passa a somar ações que não trazem cliente.
Para marcar um evento que já chega ao GA4, o caminho da ajuda do Google é:
- Abra Administrador e, na coluna Exibição de dados, clique em Eventos.
- Encontre o evento na lista de eventos recentes ou pela busca.
- Clique na estrela ao lado dele.
A marcação exige a função de editor na propriedade e leva até 24 horas para aparecer nos relatórios padrão.
Antes de marcar qualquer coisa, confira o que está instalado de fato. Em setembro de 2026, revisando o rastreamento de uma campanha minha, encontrei um container do Google Tag Manager herdado de outro projeto: havia tags de lead para formulários que nem existiam no site, e faltavam as tags dos eventos que importavam. Depois disso, o container passou a ser gerado por script. A regra que ficou: conferir o que está publicado antes de confiar nos números.
Como guardar 14 meses de dados e tirar as visitas da equipe?
Comece por quem manda na conta. Em Administrador, Gerenciamento de acesso mostra quem entra na conta e na propriedade. O dono do negócio fica como administrador, e a agência ou o freelancer entram como usuários. É a mesma lógica do domínio no nome da empresa, que expliquei no guia de domínio próprio: quem troca de fornecedor não perde o histórico.
Depois, a retenção. A conta gratuita guarda os dados detalhados por 2 ou 14 meses, e uma propriedade nova costuma vir com 2, segundo o guia da Analytics Mania de março de 2025. Para mudar, em Administrador, abra Retenção de dados nas configurações de dados da propriedade e escolha 14 meses. Pela ajuda do Google, essa configuração “não afeta os relatórios padrão agregados”: ela vale para as explorações e os relatórios de funil. A mudança não é retroativa, por isso convém fazer no primeiro dia.
Por fim, o tráfego interno. Você, a recepção e quem atualiza o site abrem as páginas todo dia, e essas visitas entram na conta. A ajuda do Google separa a exclusão em duas etapas:
- Em Administrador, seção Coleta e modificação de dados, abra Fluxos de dados, escolha o fluxo do site e, em Definir as configurações da tag, clique em Mostrar mais e em Definir o tráfego interno. Ali entra o endereço IP do escritório.
- Na mesma seção, abra Filtros de dados e crie um filtro de Tráfego interno do tipo excluir.
O filtro tem três estados: Testes, Ativo e Inativo. Deixe alguns dias em Testes e confira, porque no estado Ativo o que é excluído nunca é processado e não volta depois. Se o IP do escritório mudar, a regra muda junto.
Como ligar o GA4 ao Google Ads e ao Search Console?
As duas ligações ficam em Administrador, no bloco de vinculações de produtos.
Com o Google Ads vinculado, segundo a ajuda do Google, os eventos principais do GA4 podem virar conversões do Google Ads, usadas nos lances; os cliques e custos dos anúncios aparecem nos relatórios do GA4; e dá para criar públicos de remarketing com quem visitou o site. A vinculação pede função de editor no GA4 e acesso de administrador no Google Ads. Sem conversão configurada, o Google otimiza a campanha para clique, e clique é um sinal diferente de cliente.
Com o Search Console vinculado, o GA4 ganha dois relatórios: as consultas que trouxeram visitas da busca orgânica e as páginas de destino desse tráfego. Eles só aparecem depois que você abre a Biblioteca, no menu da esquerda, e publica o conjunto do Search Console. A ligação exige ser proprietário verificado da propriedade no Search Console.
O que o modo de consentimento muda nos números?
O modo de consentimento informa ao Google se o visitante aceitou ou recusou os cookies, e as tags se comportam conforme a resposta. A ajuda do Google descreve dois jeitos de implementar:
- Básico: as tags ficam bloqueadas até o visitante aceitar. Quem recusa não gera dado nenhum.
- Avançado: as tags carregam antes do banner e, quando a pessoa recusa, mandam sinais sem cookies. O GA4 usa esses sinais para estimar o comportamento de quem recusou.
Nos dois casos, quem recusa cookies some de parte dos relatórios, e o GA4 fica abaixo do movimento real do site. Esse buraco é o preço de respeitar a escolha do visitante. Errado é rastrear antes da resposta. No container herdado do outro projeto, o PageView do Pixel da Meta carregava antes do consentimento de cookies, e esse foi um dos itens corrigidos. A configuração mora no banner de cookies e no Tag Manager, e a pergunta a fazer para quem instalou é qual dos dois modos está ativo.
Quais relatórios o dono do negócio precisa olhar?
Quatro respondem às perguntas que importam para quem decide:
- Aquisição de tráfego (Relatórios > Aquisição): de onde vieram as visitas, separadas por canal, como busca orgânica, anúncio, redes sociais e acesso direto, com a coluna de eventos principais ao lado. É aqui que se vê qual canal traz contato, além de visita.
- Páginas e telas (Relatórios > Engajamento): quais páginas são vistas e quantas vezes.
- Eventos principais no relatório de tempo real: depois de cada mudança no site, envie um formulário de teste e veja se o evento aparece em alguns minutos.
- Consultas de pesquisa orgânica do Google, depois de publicar o conjunto do Search Console: as buscas que trouxeram gente e em quais páginas elas caíram.
Uma vez por mês, compare o total de eventos principais com o que entrou de verdade: orçamentos recebidos, agendamentos, vendas. Se os dois números não batem, o problema está no rastreamento ou no próprio formulário, e vale descobrir qual antes de mexer na verba. Para cobrar isso de quem cuida do seu marketing, o roteiro está em como validar se a agência está entregando resultado.
Por que o GA4 e o painel de anúncios mostram números diferentes?
Os dois contam coisas diferentes. As causas mais comuns:
- Clique e sessão: o Google Ads conta clique; o GA4 conta sessão. Quem clica e fecha a página antes de ela carregar gera um clique e nenhuma sessão.
- Consentimento: o clique de quem recusa cookies é contado no anúncio e pode faltar no GA4.
- Data: pela ajuda do Google Ads, a coluna padrão de conversões registra a venda na data do clique no anúncio. O GA4 registra o evento no dia em que ele aconteceu. Quando a compra acontece dias depois do clique, ela cai em datas diferentes nos dois painéis.
- Crédito: o GA4 dá o crédito do evento principal considerando todos os canais que levaram ao site. O Google Ads só conta a conversão que atribui aos próprios anúncios, e o painel da Meta faz o mesmo com os dele.
Por isso, somar as conversões de cada painel pode dar mais vendas do que entraram no caixa, porque a mesma venda é reivindicada por mais de um. A conta que fecha é a do sistema de vendas, do CRM ou do extrato. O GA4 serve para comparar canais entre si com a mesma régua, e os painéis de anúncio servem para ajustar cada campanha. O custo de decidir verba sem essa conferência está em quanto custa não medir conversão.
O que conferir no seu GA4 esta semana?
- Em Gerenciamento de acesso, confirme que o dono do negócio é administrador da conta.
- Em Retenção de dados, troque 2 meses por 14.
- Cadastre o IP do escritório como tráfego interno e crie o filtro em Testes.
- Marque como eventos principais só as ações que trazem cliente, e confira um teste de cada uma no relatório de tempo real.
- Vincule o Google Ads e o Search Console, e publique o conjunto do Search Console na Biblioteca.
- Pergunte a quem instalou o banner de cookies qual modo de consentimento está ativo.
Perguntas frequentes sobre o GA4
O GA4 é gratuito?
A propriedade padrão do GA4 é gratuita. A versão paga, Analytics 360, aumenta limites como o número de eventos principais (50 em vez de 30) e a retenção de dados, que pode chegar a 50 meses.
Onde ficam as conversões no GA4?
Desde março de 2024 elas se chamam eventos principais e ficam em Administrador, na coluna Exibição de dados. No GA4, a palavra conversão ficou para o evento principal compartilhado com o Google Ads.
Qual a diferença entre evento e evento principal no GA4?
Evento é qualquer ação registrada, como abrir uma página ou rolar até o fim. Evento principal é o evento que você marca como importante para o negócio, como um pedido de orçamento enviado ou uma compra aprovada.
Por que o GA4 mostra menos visitas do que os cliques do Google Ads?
O Google Ads conta cliques e o GA4 conta sessões. Quem clica e fecha a página antes de ela carregar, ou recusa os cookies, gera clique no anúncio e pode não gerar sessão no GA4.
Quanto tempo o GA4 guarda os dados?
Na versão gratuita, 2 ou 14 meses para as explorações e os relatórios de funil; propriedade nova costuma vir com 2. Os relatórios padrão não são afetados por essa configuração.
[ Quem escreve ]
Especialista em tecnologia para comunicação, marketing e vendas, há mais de 25 anos na internet
Trabalha com internet há mais de 25 anos e leva o que há de melhor em tecnologia para pequenas e médias empresas e negócios locais: site, busca no Google e nas IAs, mídia paga e rastreamento, medidos do clique até a venda. Foi produtor editorial em assessoria de imprensa, gestor de internet em comunicação corporativa, gestor de projetos digitais em comunicação integrada e gestor de marketing digital no turismo, em Florianópolis. Atendeu diretamente empresas como FGV, Baden Solar, CLM Controller.