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Paulo Sabbanelli [ Blog ]

GA4: o que é o Google Analytics 4 e o que configurar primeiro numa empresa

Por 10 min de leitura

Cartão azul do blog com o rótulo Relatórios Executivos e o título do artigo em letras brancas

O GA4 é instalado em poucos minutos e, a partir daí, já mostra visitas, páginas e cliques. O que ele não faz sozinho é saber quais dessas ações viraram cliente. Essa parte depende de meia dúzia de configurações que ficam no menu Administrador e não vêm prontas na conta nova.

Os nomes de menu citados aqui foram conferidos na ajuda do Google em novembro de 2026. Se algum mudar, a busca no topo do GA4 encontra a opção.

O que o GA4 mede e o que ele não vê sozinho?

O Google Analytics 4 substituiu o Universal Analytics, que parou de processar dados em 1º de julho de 2023, segundo a ajuda do Google. No GA4, tudo é evento: abrir uma página, rolar até o fim, clicar num link para fora do site, enviar um formulário, comprar.

Parte desses eventos chega sem programação. A medição otimizada, um conjunto de chaves no fluxo de dados do site, registra visualização de página, rolagem até 90% da página, clique em link externo, busca interna, vídeo incorporado, download de arquivo e início e envio de formulário.

O GA4 enxerga o que acontece dentro do site. Quando o cliente sai dele para fechar negócio, a medição para no último clique. Três situações comuns em negócio pequeno ficam de fora:

  • a venda que fecha no WhatsApp ou no telefone, depois que a pessoa clicou no botão de contato;
  • a compra feita num checkout de outra empresa, como uma plataforma de pagamento;
  • o orçamento aprovado dias depois, por e-mail ou presencialmente.

O GA4 aceita eventos enviados por um servidor, sem depender do navegador do visitante. É assim que montei o contrate-me, minha loja de serviços: o checkout fica na Kiwify, fora do meu site, e um webhook de compra aprovada envia o evento purchase ao GA4. Sem isso, o relatório mostraria gente indo para o checkout e nunca uma venda. Antes de cada build, a etapa que gera a nova versão do site, rodam testes de rastreamento. Como o envio pelo servidor funciona, para quem decide, está em rastreamento server-side explicado.

Ilustração de um celular com um site na tela, preso por um cabo antifurto em espiral a um suporte de balcão com trava laranja, ao lado de uma sacola de compras vazia que o cabo não alcança

Quais eventos marcar como eventos principais?

O que o GA4 chamava de conversão passou a se chamar evento principal em março de 2024, segundo o Search Engine Roundtable. Pela ajuda atual do Google, um evento principal “mede uma ação particularmente importante para o sucesso da sua empresa”. A palavra conversão continua existindo, mas ficou para o evento principal compartilhado com o Google Ads e usado nos lances das campanhas.

A conta gratuita aceita até 30 eventos principais. Numa empresa de serviço local, três ou quatro bastam: o formulário de orçamento enviado, o clique no botão de WhatsApp ou de telefone, o agendamento concluído e, se houver venda online, a compra aprovada. Cada evento a mais dilui o relatório, porque a coluna de eventos principais passa a somar ações que não trazem cliente.

Para marcar um evento que já chega ao GA4, o caminho da ajuda do Google é:

  1. Abra Administrador e, na coluna Exibição de dados, clique em Eventos.
  2. Encontre o evento na lista de eventos recentes ou pela busca.
  3. Clique na estrela ao lado dele.

A marcação exige a função de editor na propriedade e leva até 24 horas para aparecer nos relatórios padrão.

Antes de marcar qualquer coisa, confira o que está instalado de fato. Em setembro de 2026, revisando o rastreamento de uma campanha minha, encontrei um container do Google Tag Manager herdado de outro projeto: havia tags de lead para formulários que nem existiam no site, e faltavam as tags dos eventos que importavam. Depois disso, o container passou a ser gerado por script. A regra que ficou: conferir o que está publicado antes de confiar nos números.

Como guardar 14 meses de dados e tirar as visitas da equipe?

Comece por quem manda na conta. Em Administrador, Gerenciamento de acesso mostra quem entra na conta e na propriedade. O dono do negócio fica como administrador, e a agência ou o freelancer entram como usuários. É a mesma lógica do domínio no nome da empresa, que expliquei no guia de domínio próprio: quem troca de fornecedor não perde o histórico.

Depois, a retenção. A conta gratuita guarda os dados detalhados por 2 ou 14 meses, e uma propriedade nova costuma vir com 2, segundo o guia da Analytics Mania de março de 2025. Para mudar, em Administrador, abra Retenção de dados nas configurações de dados da propriedade e escolha 14 meses. Pela ajuda do Google, essa configuração “não afeta os relatórios padrão agregados”: ela vale para as explorações e os relatórios de funil. A mudança não é retroativa, por isso convém fazer no primeiro dia.

Por fim, o tráfego interno. Você, a recepção e quem atualiza o site abrem as páginas todo dia, e essas visitas entram na conta. A ajuda do Google separa a exclusão em duas etapas:

  1. Em Administrador, seção Coleta e modificação de dados, abra Fluxos de dados, escolha o fluxo do site e, em Definir as configurações da tag, clique em Mostrar mais e em Definir o tráfego interno. Ali entra o endereço IP do escritório.
  2. Na mesma seção, abra Filtros de dados e crie um filtro de Tráfego interno do tipo excluir.

O filtro tem três estados: Testes, Ativo e Inativo. Deixe alguns dias em Testes e confira, porque no estado Ativo o que é excluído nunca é processado e não volta depois. Se o IP do escritório mudar, a regra muda junto.

Como ligar o GA4 ao Google Ads e ao Search Console?

As duas ligações ficam em Administrador, no bloco de vinculações de produtos.

Com o Google Ads vinculado, segundo a ajuda do Google, os eventos principais do GA4 podem virar conversões do Google Ads, usadas nos lances; os cliques e custos dos anúncios aparecem nos relatórios do GA4; e dá para criar públicos de remarketing com quem visitou o site. A vinculação pede função de editor no GA4 e acesso de administrador no Google Ads. Sem conversão configurada, o Google otimiza a campanha para clique, e clique é um sinal diferente de cliente.

Com o Search Console vinculado, o GA4 ganha dois relatórios: as consultas que trouxeram visitas da busca orgânica e as páginas de destino desse tráfego. Eles só aparecem depois que você abre a Biblioteca, no menu da esquerda, e publica o conjunto do Search Console. A ligação exige ser proprietário verificado da propriedade no Search Console.

O que o modo de consentimento muda nos números?

O modo de consentimento informa ao Google se o visitante aceitou ou recusou os cookies, e as tags se comportam conforme a resposta. A ajuda do Google descreve dois jeitos de implementar:

  • Básico: as tags ficam bloqueadas até o visitante aceitar. Quem recusa não gera dado nenhum.
  • Avançado: as tags carregam antes do banner e, quando a pessoa recusa, mandam sinais sem cookies. O GA4 usa esses sinais para estimar o comportamento de quem recusou.

Nos dois casos, quem recusa cookies some de parte dos relatórios, e o GA4 fica abaixo do movimento real do site. Esse buraco é o preço de respeitar a escolha do visitante. Errado é rastrear antes da resposta. No container herdado do outro projeto, o PageView do Pixel da Meta carregava antes do consentimento de cookies, e esse foi um dos itens corrigidos. A configuração mora no banner de cookies e no Tag Manager, e a pergunta a fazer para quem instalou é qual dos dois modos está ativo.

Quais relatórios o dono do negócio precisa olhar?

Quatro respondem às perguntas que importam para quem decide:

  1. Aquisição de tráfego (Relatórios > Aquisição): de onde vieram as visitas, separadas por canal, como busca orgânica, anúncio, redes sociais e acesso direto, com a coluna de eventos principais ao lado. É aqui que se vê qual canal traz contato, além de visita.
  2. Páginas e telas (Relatórios > Engajamento): quais páginas são vistas e quantas vezes.
  3. Eventos principais no relatório de tempo real: depois de cada mudança no site, envie um formulário de teste e veja se o evento aparece em alguns minutos.
  4. Consultas de pesquisa orgânica do Google, depois de publicar o conjunto do Search Console: as buscas que trouxeram gente e em quais páginas elas caíram.

Uma vez por mês, compare o total de eventos principais com o que entrou de verdade: orçamentos recebidos, agendamentos, vendas. Se os dois números não batem, o problema está no rastreamento ou no próprio formulário, e vale descobrir qual antes de mexer na verba. Para cobrar isso de quem cuida do seu marketing, o roteiro está em como validar se a agência está entregando resultado.

Por que o GA4 e o painel de anúncios mostram números diferentes?

Os dois contam coisas diferentes. As causas mais comuns:

  • Clique e sessão: o Google Ads conta clique; o GA4 conta sessão. Quem clica e fecha a página antes de ela carregar gera um clique e nenhuma sessão.
  • Consentimento: o clique de quem recusa cookies é contado no anúncio e pode faltar no GA4.
  • Data: pela ajuda do Google Ads, a coluna padrão de conversões registra a venda na data do clique no anúncio. O GA4 registra o evento no dia em que ele aconteceu. Quando a compra acontece dias depois do clique, ela cai em datas diferentes nos dois painéis.
  • Crédito: o GA4 dá o crédito do evento principal considerando todos os canais que levaram ao site. O Google Ads só conta a conversão que atribui aos próprios anúncios, e o painel da Meta faz o mesmo com os dele.
Ilustração de um notebook pequeno com um site simples na tela, sobre um pedestal de loja, com quatro etiquetas de preço de tamanhos muito diferentes penduradas nele, da minúscula à gigante laranja que desenrola pelo chão

Por isso, somar as conversões de cada painel pode dar mais vendas do que entraram no caixa, porque a mesma venda é reivindicada por mais de um. A conta que fecha é a do sistema de vendas, do CRM ou do extrato. O GA4 serve para comparar canais entre si com a mesma régua, e os painéis de anúncio servem para ajustar cada campanha. O custo de decidir verba sem essa conferência está em quanto custa não medir conversão.

O que conferir no seu GA4 esta semana?

  1. Em Gerenciamento de acesso, confirme que o dono do negócio é administrador da conta.
  2. Em Retenção de dados, troque 2 meses por 14.
  3. Cadastre o IP do escritório como tráfego interno e crie o filtro em Testes.
  4. Marque como eventos principais só as ações que trazem cliente, e confira um teste de cada uma no relatório de tempo real.
  5. Vincule o Google Ads e o Search Console, e publique o conjunto do Search Console na Biblioteca.
  6. Pergunte a quem instalou o banner de cookies qual modo de consentimento está ativo.

Perguntas frequentes sobre o GA4

O GA4 é gratuito?

A propriedade padrão do GA4 é gratuita. A versão paga, Analytics 360, aumenta limites como o número de eventos principais (50 em vez de 30) e a retenção de dados, que pode chegar a 50 meses.

Onde ficam as conversões no GA4?

Desde março de 2024 elas se chamam eventos principais e ficam em Administrador, na coluna Exibição de dados. No GA4, a palavra conversão ficou para o evento principal compartilhado com o Google Ads.

Qual a diferença entre evento e evento principal no GA4?

Evento é qualquer ação registrada, como abrir uma página ou rolar até o fim. Evento principal é o evento que você marca como importante para o negócio, como um pedido de orçamento enviado ou uma compra aprovada.

Por que o GA4 mostra menos visitas do que os cliques do Google Ads?

O Google Ads conta cliques e o GA4 conta sessões. Quem clica e fecha a página antes de ela carregar, ou recusa os cookies, gera clique no anúncio e pode não gerar sessão no GA4.

Quanto tempo o GA4 guarda os dados?

Na versão gratuita, 2 ou 14 meses para as explorações e os relatórios de funil; propriedade nova costuma vir com 2. Os relatórios padrão não são afetados por essa configuração.

[ Quem escreve ]

Especialista em tecnologia para comunicação, marketing e vendas, há mais de 25 anos na internet

Trabalha com internet há mais de 25 anos e leva o que há de melhor em tecnologia para pequenas e médias empresas e negócios locais: site, busca no Google e nas IAs, mídia paga e rastreamento, medidos do clique até a venda. Foi produtor editorial em assessoria de imprensa, gestor de internet em comunicação corporativa, gestor de projetos digitais em comunicação integrada e gestor de marketing digital no turismo, em Florianópolis. Atendeu diretamente empresas como FGV, Baden Solar, CLM Controller.

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